Desde 1956

HISTÓRIA

O contexto espaço temporal

A Serra da Estrela, magnificente e guardiã dos territórios da Beira é, em simultâneo, protetora das suas vinhas dos ventos gélidos do inverno - infligindo aos seus solos os degelos - e impulsionadora da sua fertilidade e robustez quando redobra sobre eles, na primavera, o efeito refrativo do sol a bater nas neves alvas. Desta alquimia natural só podiam vingar uvas de castas magnas que incorporam os vinhos magistrais da Região Demarcada da Beira Interior.

A natureza inóspita e agreste das serras da Estrela, Marofa e Malcata sempre atraiu as gentes da Beira. Os solos desbravados e o cultivo da vinha remontam à época medieval, ainda antes da fundação da nacionalidade. As grandes altitudes tornaram as várias castas resistentes e as vinhas que hoje ocupam cerca de 16 mil hectares de solo granítico, com áreas menores de xisto, são sujeitas a invernos inclementes e a verões abrasadores. Os frutos dessa resistência aprimoraram com o passar dos séculos e a dedicação e persistência do homem.

A história da cooperativa

Vila Franca das Naves, localidade beirã do concelho de Trancoso, no centro interior de Portugal, é o perfeito exemplo da tenacidade das gentes da serra. Tem uma cooperativa de vinhos com mais de 60 anos de vida e uma longa tradição em recolha, produção, engarrafamento e comercialização de vinhos.

A Cooperativa Beira Serra, fundada em 1956, é um ícone de pioneirismo e perseverança: numa altura de grandes mudanças no setor vitivinícola, tem mais de 550 associados; uma produção de cerca de 05 milhões de litros de vinhos por ano e um projeto de futuro arrojado. Este é o legado de uma aposta forte – e no tempo certo - em tecnologia (equipada com baterias de fermentação com capacidade de um milhão e 200 mil litros, uma das melhores da Região da Beira Interior), na sabedoria de enólogos audazes e mais recentemente na diversificação dos seus vinhos e na sua conquista de mercados além-fronteiras.

ESFORÇO E PAIXÃO

Os vinhos

Nascidos a partir de uvas cuidadas em altitudes entre os 400 e os 700 metros, os vinhos da Cooperativa Agrícola Beira Serra têm em si a marca indelével das serras imponentes da região. Os tintos de castas como Touriga Nacional, Tinta Roriz, Sirá, Rufete e outras castas nativas da região que cheiram e sabem a flores bravias, a frutos silvestres e a especiarias intensas. Os brancos, roses e, em especial, os espumantes impregnam os sentidos, não deixando ninguém indiferente aos aromas exuberantes e à frescura vinda de castas como a Síria, Malvasia, Arinto e Fonte Cal.

Estes vinhos produzidos com esforço e paixão ao longo de décadas e sucessivamente aprimorados por gerações de viticultores que, teimosamente, continuaram a acreditar no futuro e no sucesso crescente da cooperativa são, hoje, verdadeiramente surpreendentes e desconcertantes para quem ainda considera que as cooperativas são páginas viradas na história da viticultura portuguesa.

A aposta continuada na divulgação dos seus vinhos em feiras e certames de referência; a consciente reviravolta nos padrões de produção, que resultou no aumento da produção mantendo, com rigor, os níveis de qualidade alicerçados na tradição da cooperativa, permitiu, com bons resultados, a colocação dos seus vinhos em países como França, Alemanha, Brasil, China, Espanha e Angola. Daí à conquista de prémios, galardões e criticas de encher de orgulho o peito dos seus associados, equipa técnica e administradores foi um passo de gigante.


Os desafios

Falar dos brancos, tintos, rosados ou dos espumantes naturais da Cooperativa da Beira Serra é hoje falar de corporativismo de sucesso; é falar da história e dos valores que a fundaram há mais de 60 anos. É ainda – de copo na mão, libertando aromas e soltando sabores - perceber que só o longo caminho trilhado permitiu a descoberta surpreendente de combinações arrojadas com as múltiplas castas da região e de um trabalho de deixar qualquer um boquiaberto perante tamanha audácia de vitivinicultores e enólogos.

A perplexidade é tal que o reconhecimento não se fez esperar. Os experts enaltecem estes vinhos fluidos, agradabilíssimos, porque estão nos antípodas dos vinhos concentrados e espessos que antes os impressionam e agora já os cansam. Ano após ano o investimento é evidente, estando estimada a área total cultivada em mais de 1.800 hectares permitindo uma produção média de 6 milhões de kilos de uvas.

Mostra-se hoje, orgulhosamente, os néctares de uma cooperativa e de uma região que, durante décadas, estiveram quase sempre serenos e na sombra, ofuscados pelo brilho de outras regiões vinícolas com resultados mais óbvios e histórias seculares reconhecidas.

Os desafios impõem-se agora naturalmente. É já incontornável o lugar que os vinhos da Beira Serra ocupam na Região Demarcada da Beira interior e na história da viticultura que hoje se escreve. Este é o momento de recolher os aplausos e continuar a trilhar o caminho alicerçado na qualidade, na diferença e na excelência dos vinhos da Beira Interior, rumo a um futuro de grandes exigências e novas conquistas.